Costas

Os primeiros passos

A análise do Registo Eslovaco dos Síndromas Coronários Agudos (SLOVAKS) revelou a existência de duas principais causas de perca de tempo na gestão dos pacientes com enfarte do miocárdio (designado também como STEMI): a primeira é que o paciente chama os socorros tarde demais, a segunda é que muitas vezes não é transportado diretamente ao centro especializado onde possa submeter-se à intervenção indispensável (denominada ICP), mas chega aí por um transporte secundário que faz perder tempo precioso. De acordo com a análise, em mais dum terço de pacientes a intervenção foi realizada além do limite de tempo recomendado, a média do tempo isquémico total sendo aproximadamente de 230 minutos, devido sobretudo ao transporte secundário. Com base nestes dados o doc. MUDr. Martin Studenčan, PhD., Diretor da Clínica de Cardiologia de Prešov e um dos peritos mais reconhecidos na área de cardiologia invasiva na Eslováquia, refletiu acerca do modo como reduzir ao mínimo o número de transportes secundários e conseguir um transporte direto dos pacientes para os centros especializados bem como acerca da maneira de diminuir o tempo perdido neste intervalo de tempo, desde a chamada do serviço de emergência médica até a realização da ICP. A solução que inventou foi a tecnologia de comunicação STEMI – a aplicação para smartphones destinada aos profissionais de saúde. O que é a STEMI? Em termos simples, a STEMI é uma aplicação para smartphones que torna possível a realização do ECG e da consulta vocal à distância entre o socorrista no local da ocorrência e o médico no centro. Isto conduz a um diagnóstico mais rápido de enfarte, à diminuição das perdas de tempo e do número de transportes secundários. O Dr. Studenčan trabalhou sobre a ideia em colaboração com o seu filho Martin, especialista em marketing digital, e posteriormente criaram juntos uma equipa startup que começou a desenvolver a aplicação STEMI. Quem teve o papel principal na transformação da ideia na tecnologia concreta foi Ján Puskajler, fundador da PrisonLab que conta entre as empresas de desenvolvimento de software as mais avançadas na Eslováquia. O período de ensaio da aplicação decorreu em 2016 na Clínica de Cardiologia em Prešov e trouxe os seguintes resultados importantes: a proporção dos transportes secundários desceu da média de 32 % para 13,5 %, o tempo isquémico total diminuindo da média de 230 minutos para 181 minutos o que significa que foi imediatamente atingido o valor médio dos melhores países da Europa. A vitória nos Startup Awards Em dezembro de 2016 a STEMI participou no concurso Startup Awards e venceu na categoria Sociedade. As startups desta categoria deviam apresentar uma nova tecnologia e inovação comercial com um forte benefício social (para ver a apresentação da STEMI no concurso ou para ler sobre os Startup Awards 2016, clique aqui). Desde então, a tecnologia de comunicação STEMI foi enriquecida pelo módulo STROKE que assiste na gestão dos pacientes com AVC. Num futuro próximo é prevista mais uma extensão sob forma do módulo TRAUMA. Ajudamos a salvar vidas O mais importante marco para a STEMI até agora foi a introdução da utilização da aplicação em todas as ambulâncias dos serviços de emergência médica da Eslováquia com conexão aos centros de cardiologia e neurologia. Trata-se duma das iniciativas do antigo Ministro da Saúde Tomáš Drucker com vista a baixar o número de óbitos evitáveis. Desde a sua implantação em setembro de 2017 até hoje, foram realizadas mais de 3000 consultas entre os socorristas e os especialistas por meio da aplicação STEMI. Após sete meses de utilização foi feito um inquérito aos socorristas segundo o qual 87 % dos mesmos acreditam que a STEMI traz um benefício aos pacientes. E eis a razão do nosso empenho! Esperamos que forneçamos uma solução eficaz e ao mesmo tempo simples para o problema do tempo isquémico elevado em caso de enfarte do miocárdio e do acidente vascular cerebral. O nosso objetivo é continuar a melhorar, proporcionando um benefício aos doentes e ajudando os profissionais de saúde a salvar vidas. 17 de abril de 2018